Crises Hídricas no Brasil – Aprendizados e Superação

A ABRHidro promoveu um debate de alto nível técnico marcando a segunda edição do programa Água em Pauta, unindo especialistas convidados para aprofundar o tema da Gestão de Crise Hídrica. Os desafios hídricos atuais, assim como a união dos diversos instrumentos capazes de amenizar o impacto da escassez, contaminação, dificuldades de acesso e disputa pelo uso da água. 

Sob o tema Crises Hídricas no Brasil – Aprendizados e Superação, o evento do dia 6 de julho, no canal do YouTube da entidade, teve a participação de três grandes especialistas em recursos hídricos no País. Sob a mediação de Rosa Formiga, diretora de Regionais da Associação, a Roda iniciou com Jerson Kelman (ex-presidente da ABRHidro, ANA, ANEEL, Sabesp e Light), que traçou um panorama dos últimos 40 anos da gestão da água no Brasil. Ele citou as crises recorrentes entre oferta e demanda, que contribuíram para a criação da Agência Nacional de Águas, da qual foi o primeiro presidente. Mais tarde, em sua gestão à frente da Sabesp, outro aprendizado: gerenciar um volume de oferta correspondente a um quarto da média histórica em São Paulo. “Um dos caminhos foi flexibilizar a distribuição e diminuir as vazões”, apontou. Nesse episódio, reconheceu que a adesão da população foi essencial.

Joaquim Gondim, superintendente de Operações e Eventos Críticos da Agência Especialistas em crises hídricas discutem soluções para o Brasil Nacional de Águas (ANA) apontou que a gestão de riscos hoje é uma das questões cruciais do setor. “Atualmente temos salas de crise periódicas na Agência”, informou. Ele ponderou ainda sobre a necessidade de se ter um sistema adequado de proteção contra desastres ambientais - citou o caso de Brumadinho-MG - e quanto à poluição em mananciais que afetam a qualidade da água para todos os fins.

Já a experiência no DF foi tratada por Jorge Werneck, diretor da ADASA (Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento do Distrito Federal). Em uma região com rios de pequeno porte, “é preciso interligar os sistemas, especialmente quando se tem 3 milhões de pessoas em uma área com apenas 60 anos de existência. E mais: com a entrada de 60 mil habitantes a mais todos os anos”, assinalou. Ele destacou algumas medidas adotadas para a gestão dos recursos hídricos no Distrito Federal como as obras para captação de água no Lago Paranoá e o mapeamento das outorgas e áreas irrigadas. “O DF tem investido em um sistema de gestão, mas ainda sofre diante do uso e ocupação irregular do solo que causam problemas como o esgoto clandestino, presente na maioria das grandes cidades”, reconheceu.

Os três especialistas admitiram que as crises de oferta em várias regiões do País provocaram o avanço das políticas setoriais. “Hoje a ANA tem a responsabilidade de fazer funcionar o Sistema Nacional de Recursos Hídricos”, ponderou Kelman em suas considerações finais. Ainda foram tratados em pouco mais de uma hora de debate temas como a questão das outorgas, as obras de infraestrutura hídrica, a cooperação entre os Estados e a sustentabilidade ambiental, hoje prerrogativa das empresas públicas. Mais de 300 internautas acompanharam o evento, com perguntas encaminhadas pela moderadora.

O projeto Água em Pauta segue mensalmente, sempre na primeira segunda- -feira do mês, às 17 horas. O Água em Pauta foi criado dentro do projeto de digitalização da ABRHidro como uma nova forma de capacitar, informar e inspirar a nossa Comunidade,” destaca a presidente da Associação, Synara Olendzki Broch. 

Transmissão via canal da ABRHidro no Youtube: abrhidro.org.br/youtube