A componente de água subterrânea necessita ser melhor entendida dentro do ciclo hidrológico. Nessa perspectiva,  foi criada a Comissão Técnica de Hidrologia Subterrânea no âmbito da Associação Brasileira de Recursos Hídricos.  A avaliação integrada de mananciais subterrâneos e bacias hidrográficas  constitui-se na forma mais adequada da gestão de recursos hídricos de uma região. A gestão dos recursos hídricos subterrâneos deve ser estabelecida com base na avaliação de condições hidrogeológicas específicas, bem como de possíveis impactos ambientais associados ao desenvolvimento e implantação de equipamentos de extração para satisfazer demandas múltiplas e usos cada vez mais competitivos de água. De fato, o planejamento deve ser realizado com base na representação conceitual físico do domínio, incluindo processos de fluxo e de transporte de massa – poluentes – que ocorrem no meio poroso, fraturado e/ou cárstico.

Nesse sentido, é necessário o desenvolvimento, no âmbito da engenharia nacional e internacional, de técnicas de modelagem matemática computacional do fluxo de águas subterrâneas e do transporte de massa integradas com análise de risco. Em especial, a integração da modelagem com dados geotecnológicos, sobretudo de sensoriamento remoto, bem como de dados medidos in situ, é altamente desejável.

Finalmente, destacam-se, a seguir, algumas das principais linhas de pesquisa a serem perseguidas no tratamento científico da Hidrologia Subterrânea:

  • interações entre hidrologia superficial e hidrologia subterrânea;
  • aspectos legais e de políticas públicas do uso e da conservação de águas subterrâneas;
  • estudos de vulnerabilidade de aquíferos;
  • integração de sistemas de informação geográfica com ferramentas geoestatísticas no âmbito da gestão recursos hídricos subterrâneos;
  • estudos de técnicas de remediação de aquíferos contaminados;
  • estudos isotópicos da origem e da idade de águas subterrâneas;
  • movimento da água, gás, solutos, colóides e microorganismos em águas subterrâneas e em zonas não saturadas;
  • modelagem matemática de escoamento de águas subterrâneas e do transporte de contaminantes em meios porosos granulares e fraturados;
  • técnicas e instrumentação para monitoramento hidrogeológico e hidroquímico de águas subterrâneas;
  • estudos hidrogeológicos, hidrogeoquímicos e microbiológicos em áreas contaminadas;
  • hidrogeologia e hidrogeoquímica relacionada a rejeitos de mineração e radioativos.

 

Criação da Comissão : Moção de criação em novembro/2001 – Aracaju – Gestão de Recursos Hídricos: o desafio da prática

Primeiro aniversário de criação da ANA – Agência Nacional de Águas (2001)

Criação da Comissão Técnica de Águas Subterrâneas (CTAS)  no âmbito do Conselho Nacional de Recursos Hídricos - 2004

Produção do Plano Nacional de Águas Subterrâneas (PNAS) - 2008

Plano Nacional de Águas Subterrâneas (PNAS) – 2009

  • Eixos básicos:
  • 1) Ampliação do conhecimento hidrogeológico
  • 2)Desenvolvimento dos aspectos institucionais e legais
  • 3) Capacitação, comunicação e mobilização social.
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A temática de Hidrologia Subterrânea tem recebido crescente atenção por parte da comunidade que tem frequentado os encontros da Associação de Recursos Hídricos. Adicionalmente, a Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (ABAS) tem procurado desenvolver o tema nos encontros que promove periodicamente. No ano de 2020, estava prevista a realização do 47º Congresso Internacional de Hidrogeologia no Brasil, adiado para 2021, com algumas sessões virtuais realizadas ao longo de 2020 e 2021, em função da pandemia Covid-19. A UNESCO está promovendo encontros sobre aquíferos transnacionais. Trata-se de tema inserido no escopo do Congresso Brasileiro de Geologia, do Congresso Brasileiro de Engenharia Geológica e do Congresso de Mecânica dos Solos. Os encontros promovidos pela Associação Internacional de Geoquímica, como os simpósios internacionais “17th Water-Rock Interaction” (WRI-17) e o “14th Applied Isotope Geochemistry” (AIG-14) também acolhem e desenvolvem trabalhos com enfoque em hidrologia subterrânea.

O breve contexto apresentado mostra a interdisciplinaridade que a temática de Hidrologia Subterrânea suscita em diferentes comunidades, o que está a despertar a adesão pela busca de diferentes visões sobre o tema. A ABRHIdro, com a formação de seus profissionais, tem a oferecer uma visão mais sistêmica sobre o tema, o que pode permitir o desenvolvimento de renovadas colaborações entre grupos com formações distintas.

Nesse sentido, pode-se esperar crescente adesão de grupos que hoje não frequentam a ABRhidro tendo em vista as  diretrizes científicas propostas pela Comissão. Assim,  estima-se poder estimular grau maior de conexão com outras comunidades na medida em que o tema começa a receber maior atenção por parte da ABRHidro.